Viajar sem os filhos: sim ou não?

Postado por Administrador Cadê a Gi? em

Oi viajantes,

Tenho um filho que hoje está com 8 anos e confesso que tinha dúvidas se levava ele em todas as viagens ou não. No início, foi meio difícil para eu me adaptar às mudanças que uma viagem com ele implicava. Mas, deixar de levá-lo, também não parecia ser uma opção fácil de tomar. 

A diferença da viagem já começava pela mala: Eu sou toda “combinadinha”. Imagina fazer mala para mim combinando cada acessório com a roupa certa e para um bebê também. Que terrível que não era! Levava horas, literalmente, escolhendo as roupas, combinações, e as possíveis peças extras que muitas vezes seriam necessárias. Depois, mais um tempão para passar o filtro em tudo que realmente precisaria levar, aí arrumar o que definitivamente era pra levar na mala e guardar de volta no armário o que não deveria levar. 

Na viagem, a criança precisa de cuidados especiais: Seus horários para comer, suas horas de cochilo, enfim, sua rotina. Item esse que, para mim, era super importante. Mesmo viajando, tentava manter a rotina dele ao máximo. Era uma verdadeira loucura! Vocês devem estar pensando que eu deveria ter simplificado, né? Ok, também concordo. Mas eu precisei de um tempo até aprender isso.

Como nós dois nunca planejamos ter um filho, já tínhamos agendado uma viagem internacional para a Alemanha com um ano de antecedência, antes mesmo de descobrimos da gravidez. Então, logo que soubemos que a família ia crescer, adiamos o tempo limite das passagens para a data máxima pra frente que era possível. Só que, depois de passado esse período, tivemos que decidir se perderíamos as passagens ou se faríamos a viagem. 

O Bê estaria com 2 anos e meio de idade. Foi aí que a dúvida surgiu: levá-lo ou não? Já tínhamos feito várias viagens por perto com ele e até mesmo de avião, mas dentro do Brasil. Mesmo assim, uma viagem internacional - e para a Alemanha, achamos que seria demais. Seria bem difícil para ele comer o feijãozinho com arroz, a carninha e os legumes que eram a base de sua alimentação aqui em casa, estando num país cuja culinária seria imprevisível para nós. Seria bem provável que muitos passeios (museus, monumentos, castelos, longas caminhadas o dia todo...) não conseguiríamos fazer na mesma dinâmica com ele. Certamente as viagens longas de carro entre as cidades seriam bem mais cansativas também. Além da temperatura bastante diferente da que estamos acostumados no Rio. Enfim, seria muita adaptação ao mesmo tempo para nós todos.

Conversamos com a psicóloga e professoras da creche, com as avós materna e paterna, já que elas que dividiriam a guarda dele: 7 dias uma avó e depois mais 7 dias com a outra avó. Todos deram muita força para que o deixássemos e fossemos só nós dois. Foi um trabalho de conscientização bem importante pra gente e pro Bê também, pois a creche foi fundamental para manter sua rotina, seus amiguinhos, eles até fizeram várias atividades sobre a nossa ausência temporária para que o Bê se sentisse seguro e soubesse que voltaríamos em breve. Com relação a ficar com as avós, também foi bem legal: um tempo de mimo extremo pra ele rs. 

Apesar de tudo organizado, é importante ter em mente que nem sempre as coisas saem completamente do jeito que planejamos, do jeito que deixamos indicado para que fosse feito. "Ninguém nunca vai cuidar melhor do seu filho do que você" - isso é certo! Mas tudo bem, a resiliência é um ponto chave nessas ocasiões. E que, num primeiro momento, a culpa de não estarmos com ele também é um sentimento normal, mas nada tão grave que nos impeça de aproveitar a viagem.

Então, fomos viajar e descobrimos que a saudade andou junto o tempo todo e bem forte, pra falar a verdade. Mas nunca foi um ponto impeditivo. Nunca atrapalhou a vontade de aproveitar o momento, de conhecer um país bem diferente da gente, de curtir o passeio, de provar novas comidas, de nos divertirmos. Foi bom entender que nós também merecíamos um descanso, um momento para curtir a dois sem as interrupções normais que um bebê faz em nossa vida. E foi delicioso voltar pra casa e vê-lo bem, matar bastante as saudades e valorizar mais os momentos com ele. Em tempos de Skype com vídeo, nossas conversas eram diárias e abrandavam um pouco a saudade que a distância nos impunha.

Nesses 8 anos de vida do Bê já viajamos muito juntos e já viajamos sozinhos algumas vezes também. E em todas as vezes, juntos ou sozinhos, sempre temos boas e más experiências para aprender, mas que fazem parte de nosso crescimento, do aprendizado, da nossa convivência.

É claro que preferencialmente o levamos junto nas viagens, mas seguimos alguns critérios para de vez em quando não levá-lo conosco, que são:  

- Ele tem idade para ir a tal lugar para aproveitar os tipos de passeios que queremos fazer? Ex: já o levamos a Buenos Aires, mas também já fizemos viagem a Buenos Aires sem ele. Foram dois tipos de viagem ao mesmo destino, mas completamente diferentes. E as duas igualmente divertidas e legais.

 - Vai interromper alguma atividade da escola? Antigamente, ele até podia faltar algum período escolar para viajarmos, mas hoje em dia prefiro selecionar datas que não atrapalhem a escola. Ou realmente não levá-lo. 

- Quero um momento só pra mim? Ex: Adoro ir para Spa, mesmo que o de emagrecimento. Passar alguns dias lá sozinha, passando fome, fazendo exercício de manhã até de noite, passar fome, ser torturada nas massagens e passar muita fome.... é maravilhoso rs. É um momento meu, não tem nem como levá-lo, nem faz sentido levá-lo. E assumo isso sem o mínimo problema.

- Algum destino com tradição de ter as refeições muito diferentes da brasileira? Eu sei que deveria ter explorado melhor essa coisa de fazê-lo experimentar diferentes tipos de comida, mas errei. E errei feio: O Bê não é muito fácil para experimentar novos sabores. Ele come bem e super saudável: seu arroz com feijão, a proteína e os legumes, o macarrãozinho e as suas frutas e... só, tanto que só esse ano ele começou a comer hambúrguer, isso porque foi ele quem quis muito conhecer NY. Já passei perrengue em Goiás porque ele não comia pizza de jeito nenhum. Então, imagina levá-lo pro Japão?! Acho que ele ia passar a viagem toda só bebendo água rs. 

Enfim, viajar com os filhos é maravilhoso, mas viajar sozinha, ou só com o marido, ou só com as amigas também é importante. Pelo menos, pra mim é. Eu me reencontro, relaxo, enxergo o destino com outros olhos. Recomendo essa experiência para todas as mães. Nem que seja uma única vez para você descobrir se para você isso não funciona ou se vale a pena também. Experimente e tire suas próprias conclusões.


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  • Texto interessante. Gostei da proposta, sempre fiquei receosa mas acho que vale a pena tentar a experiência e ver se consigo, afinal meus filhotes já estão maiores e com certeza iriam gostar de um fim de semana na casa da avó rs. Muita reflexão a ser feita.

    Alice S. em
  • Gi concordo muito com seu texto. O fato de sermos mães não nos proíbe de querermos nosso momentos de relax como mulheres e/ou esposas . Viajo muito a trabalho, morro de saudades mas o trabalho me faz feliz e não seria feliz abrindo mão disso. E assim seguimos sentindo saudades, sendo feliz e tentando ser as melhores mães que podemos ser.
    Seu site está muito legal! Parabéns!
    Bjs

    Alessandra Monteiro em

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